quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Anúncio de cigarro
Eu comecei a fumar para impressionar meus amigos. Quando cresci eu queria impressionar as garotas. E hoje eu me impressiono com as consequências desse hábito.Primeiro foi minha perna, depois o meu emprego e por fim minha própria família. Até eu finalmente parar de fumar.Sem o vício pude recomeçar. Recuperei quase tudo o que havia perdido. É, a perna não voltou, mas seria difícil trabalhar com duas pernas representando o Saci Pererê na peça "Sítio do pica-pau amarelo".
Fim
Suor, roupa no chão, aliança escondida na gaveta, gemidos.
Barulho de chave na porta.
Está tudo acabado.
Barulho de chave na porta.
Está tudo acabado.
domingo, 4 de outubro de 2009
Feitiço
Era uma noite invernal na velha Londres. Pessoas caminhavam na rua apinhada, e lá estava ela. Seus cabelos ruivos eram facilmente distinguíveis em meio a tantas pessoas comuns. Seu caminhar lento e ditraído refletia sua imparcialidade diante de mais uma noite enfadonha para ela. Foi então que aconteceu. Um vento soprou forte por suas costas, e de repente tudo mudou. Todas pessoas haviam sumido, e destacando-se por entre a escuridão enevoada vinha ele. E no meio daquela noite gélida, ela sentiu um choque quente invadindo todo seu corpo, mal conseguindo avistá-lo direito, tanta era sua perplexidade. Mas seus contornos logo tornaram-se claros. Diante dela, tão próximo, mas tão longe, surgia um homem alto, de olhos azuis, pele clara, cabelos pretos, boca macia, trajando jaqueta de couro, calça jeans, exalando um perfume que embriagava todos os seus sentidos. Ela sentiu a respiração parar por completo. E escutou então a voz dele, que lhe fez um convite para toda a vida, do qual ele não aceitaria uma negativa. Mas o medo tomou-a por inteiro, e ela fugiu, sem saber ao certo o que pensar. Aquilo não fazia sentido. Nunca se sentira tão fora de si em toda sua vida. Parecia magia, parecia que haviam lançado-lhe algum tipo de feitiço, do qual ela não conseguia se desvencilhar, mas queria correr dele com todas suas forças. O que era realmente estranho era a certeza de que passara uma vida esperando por ele, sem nunca ao menos tê-lo imaginado. E isso aumentava seu medo. Durante dois ciclos de lua, ao cair da noite, ele continuou aparecendo para ela, e o mesmo convite era feito, as mesmas sensações lhe perpassavam, mas ela continuava fugindo, aquele homem consumia-lhe de uma maneira inexplicável. Foi então que na terceira lua cheia desde aquele dia fantástico em que ela avistara pela primeira vez aquele encantador ser que atormentava-lhe por completo, após ele fazer-lhe o convite, implorando como sempre, ela quis tocá-lo. Estendeu sua mão na direção dele. Seu medo era tamanho, e sua aflição tão grande, que ela queria sentir-lhe, tentar entender o que estava acontecendo, entender como podia sentir como se estivesse envolta por uma brisa de verão e por uma tormenta de inverno ao mesmo tempo. Foi aí que ela compreendeu. E seus longos cabelos vermelhos caíram por entre os braços daquele homem que emanava uma magia sem fim, e ela não fugiu mais... Aos primeiros raios de sol do dia seguinte, ela tinha certeza. Havia sido enfeitiçada, era fato. Tinha se rendido. Relembrava as palavras que aquela voz masculina entorpecente havia lhe dito, que ele estaria com ela pelo resto de sua vida, desde o primeiro brilho da primeira estrela de cada noite, até o primeiro raio de sol de cada manhã. E ela ia segui-lo, não importava o que acontecesse. A luz de seus dias havia adormecido, agora só lhe eram claras as noites. Noites que passaria envolvida no feitiço daquele ser inquietante, que talvez fosse ele mesmo o feitiço em si...mas isso tampouco lhe importava. Sua vida agora era vivê-lo. Também não lhe importava como, quando, nem quem ou o que viesse a ser ele.
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